O Dia Seguinte às Autárquicas 2025
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O Barreiro! Cidade que já foi berço de talentos que encheram de glória o desporto nacional, agora reduzida a um palco de promiscuidade entre público e privado, onde o interesse coletivo se submete ao lucro de alguns. O que antes eram clubes como Galitos, Fabril, Barreirense e Luso, exemplos de identidade e orgulho comunitário, transformou-se numa sucessão de cedências de terrenos, alienações e negócios fechados à porta fechada, enquanto os cidadãos e atletas se tornam meros figurantes.
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A Cidade da Hipocrisia
Lisboa, Barreiro e a Ética Seletiva
Lisboa ganhou um livro, o Barreiro ganhou vídeos épicos, e Portugal ganhou políticos especialistas em fingir ética, enquanto a ignoram com elegância de salão. Carlos Moedas publica um livro que deveria prestar contas à cidade, mas transforma-se num desfile de autopromoção, hipocrisia e opacidade institucional. A indignação explode nas colunas e nas redes, mas no Barreiro, onde Frederico Rosa faz brochuras, vídeos e mupis glorificando obras feitas, o silêncio é absoluto. André Pinotes Batista, presidente da Assembleia Municipal do Barreiro, ergue o dedo em Lisboa e aplaude em casa, com uma ética geograficamente seletiva, flexível, conveniente e descaradamente partidária.
Cada página do livro de Moedas é uma selfie institucional, cada vídeo de Frederico Rosa é um espetáculo de luz, cor e música épica. O que em Lisboa suscita críticas ferozes, da parte de André Pinotes, no Barreiro é veneração. Pinotes observa com lupa uns e com binóculos outros, como prova de que a hipocrisia não é acidente, é arte. É pregar moral e ética performativa quando convém e fechar os olhos quando o interesse próprio ou partidário está em causa. A transparência deixou de ser um princípio e tornou-se adorno: custos, recursos utilizados, meios mobilizados, desaparecem como nevoeiro artístico, visíveis apenas quando convém atacar o adversário.
Moedas e Rosa podem encher páginas e ecrãs com autopromoção, André Pinotes, que deveria ser guardião da ética, transforma-se no maior artífice da própria hipocrisia. Cada gesto, cada silêncio, cada dedo apontado apenas quando convém revela que a política se transformou num autêntico circo de máscaras, glamour e nada de substância
Enquanto isso, as prioridades reais da cidade ficam esquecidas. Lisboa gasta-se em livros de luxo, o Barreiro em vídeos épicos, e os cidadãos continuam a lidar com ruas sujas, transportes caóticos e habitação insuficiente. A ética não resolve problemas, apenas pinta cenários de aparência respeitável, onde a comunicação institucional se mistura com propaganda eleitoral, mas o juízo sobre o seu valor depende sempre da latitude e da cor partidária de quem observa. O que é crime em Lisboa é virtude no Barreiro e o que irrita, enriquece a imagem.
E é aqui que a censura à Barrabás se impõe, porque Pinotes, enquanto deputado da nação, deveria ser guardião da ética, mas revela-se autor e intérprete de um carnaval de fingimentos. Cada aplauso seletivo, cada silêncio estratégico, cada indignação geograficamente localizada expõe uma dialética apodrecida, uma vida política mística e mascarada de virtude. A autopromoção torna-se espetáculo, a hipocrisia arte e a ética apenas decoração. O resultado é um circo de máscaras e papéis brilhantes, onde os cidadãos pagam impostos e sonham com cidades onde se viva com qualidade, mas recebem brochuras, livros e vídeos como substitutos de soluções concretas.
No fim, a lição é clara e brutal, quando a política é governada por quem apenas finge ter ética, a hipocrisia torna-se obra-prima, a transparência figurativa, a moral enfeite, e a cidade inteira assiste ao espetáculo, rindo, engasgando-se, ou abanando a cabeça perante o descaramento. Quem deveria proteger princípios transforma-se, inevitavelmente, em autor da própria vaidade, e a hipocrisia torna-se num triste e lamentável legado. A cidade paga, eles sorriem, e a ética desaparece, convenientemente, em silêncio rosáceo.
Lisboa, Barreiro e toda a geografia política portuguesa, assistem ao maior espetáculo de vaidades da história recente e Barrabás sorri, triunfante, sabendo que a verdadeira cidade foi esquecida enquanto os políticos brincam com as próprias máscaras.
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PCP/CDU 2025
A última versão do software que nunca foi atualizado
O Barreiro foi, durante décadas, o Vaticano do comunismo português. Hoje é apenas um museu ao ar livre, do que o PCP já foi, com entrada gratuita, porque já ninguém paga bilhete para ver.
No Barreiro, o outrora coração vermelho, bate hoje em modo SOS. Onde o partido já foi sistema operativo, mas hoje, é uma disquete de 3 ½ esquecida na gaveta, que já ninguém usa e de uma fábrica que já não existe, a apresentação dos candidatos foi menos uma festa e mais um ensaio geral para o funeral político. O drama tem causas claras: o PCP é o único partido que se recusa a atualizar o software desde 1975. Continua a funcionar em DOS enquanto o resto do mundo corre em nuvem.
No Barreiro, terra que em tempos foi capital da foice e martelo, onde o PCP enchia praças, coretos e sonhos, a apresentação dos candidatos às autárquicas de 12 de Outubro juntou pouco mais de duas dúzias de apoiantes. Duas dúzias, sim, não me estou a enganar o mesmo número de pessoas que costuma alinhar para um peddy paper qualquer, talvez menos que os próprios candidatos presentes.
Jéssica Pereira, cabeça de lista à Câmara, discursou no largo do Mercado Municipal 1° de Maio, como quem fala para a História, mas teve de se contentar com um auditório onde a História estava de férias. Nas freguesias, o panorama foi idêntico, Santo André, bastião comunista, parecia um condomínio fechado para o PCP, fechado mesmo, porque nem o porteiro apareceu. Na Verderena, o último comício encheu a esplanada do café, mas só porque estava calor e os clientes não se levantaram.
A verdade é que o PCP continua a viver num loop temporal, completamente à deriva e desnorteado. Recusa-se a fazer “update” desde a versão 1975. Está tão agarrado ao passado, que ainda desconfia da eficiência da Internet, dos micro-ondas e Airfryer. A sua agenda continua a falar de “defesa das conquistas de Abril”, mas já ninguém se lembra bem quais eram as conquistas e alguns até já venderam as casas de Abril ao preço da chuva no OLX.
O resultado é uma tragédia grega, passada no cenário industrial de um filme apocalíptico, sem fábricas para sindicalizar, sem juventude para radicalizar e sem trabalhadores para mobilizar, o partido está reduzido a uma confraria de resistentes reformados, que insiste em falar da NATO como se estivesse prestes a invadir o Barreiro. Entretanto, Putin já invadiu a Ucrânia, e nem isso bastou para o PCP atualizar o seu discurso repetitivo e descontextualizado das novas realidades, pois continua a dizer que é “um conflito complexo”, o que na prática, é usado como um código para “vamos fingir que não vimos nem acreditamos”.
No concelho, a perda de influência é tão grande que já se fala em transformar o Centro de Trabalho num museu interativo, com visitas guiadas ao “tempo em que isto enchia”. A antiga fortaleza operária está agora rodeada por cartazes de outros partidos, PS, PSD, Chega e até Livre, que conseguem meter mais gente num piquenique vegan do que o PCP numa apresentação de candidatos.
E a pergunta paira na boca dos cidadãos barreirenses, como cartaz de campanha desbotado numa parede grafitada: o que se passa com o PCP?
A resposta é cruelmente simples, passou-se o tempo e o PCP ainda não se apercebeu disso. Passaram-se as fábricas, passaram-se as lutas, passou-se a paciência de um eleitorado que queria menos dogmas e mais soluções e agora, o partido corre o risco de ser aquilo que mais teme, folclore político.
O Barreiro, que foi o coração vermelho do país, bate agora num compasso diferente e o PCP, que um dia foi motor, é hoje uma peça de museu. Uma peça que insiste em funcionar com manivela num mundo onde tudo já é digital.
O PCP precisava de um “update”, mas escolheu fazer “ignore” e como resultado, está a correr debaixo de um software há muito ultrapassado de 1975, em pleno século XXI, em 2025. E quando o sistema crashar nas urnas a 12 de Outubro, não digam que Barrabás não vos avisou.
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